Nascimento, morte e ressurreição de Jesus - dá para confiar?



Esse texto era parte de um post mais amplo, mas decidi publicá-lo aqui separadamente porque se o nascimento, a morte a ressurreição de Jesus são considerados fundamentais para a crença cristã, isso quer dizer que contradições aqui lançam toda essa crença em descrédito. O que quero dizer é que se nessas coisas não pode confiar, por que deveríamos confiar no restante?

Veja você mesmo(a):


O nascimento de Jesus em Belém

Para colocar Jesus, que vivia em Nazaré, terra muito distante de Belém, no cenário da cidade de Davi, e alegar que ele cumpria a profecia de que o Messias judaico nasceria em Belém, o escritor do evangelho de Lucas, capítulo 2, inventa um recenseamento que nunca existiu.

De qualquer modo, imaginemos uma mulher grávida, prestes a dar à luz, montada num burro, viajando 100 km debaixo de sol escaldante e por noites congelantes para ir da Galileia até Belém. Claro que isso é um absurdo completo. É uma fraude.

Além disso, Quirino, citado por Lucas como presidente da Síria nessa época, só veio a ocupar o cargo a partir do ano 6 depois de Cristo – o que significa que se o censo tivesse acontecido como relatado, Jesus já teria 12 anos de idade. Em vez de um feto quase sendo parido, ele seria um adolescente com pentelhos nascendo pelo corpo.

Outra coisa que se destaca como absurda na invenção desse relato é que nenhum recenseamento jamais obrigou o povo a viajar para suas cidades-natais. O censo era uma contagem para cobrança de impostos. As pessoas eram contadas nas suas aldeias, vilas e cidades. 

Além disso, seria logisticamente impraticável que todos os comerciantes, agricultores, pecuaristas, burocratas, etc. deixassem as cidades em que viviam e atuavam para voltarem às suas cidades-natais para se recensearem. Os prejuízos seriam imensuráveis.

Sobre o plágio da vida de outros homens-deuses

Vários deuses e filhos de deuses muito antes de Jesus são chamados pelos mesmos nomes que os escritores do Novo Testamento atribuem a Jesus.

Hórus

Era o Deus do Sol do Egito. Nasceu no dia 25 de dezembro, da virgem Isis-meri. Ele também recebeu a visita de reis e era um pregador. Ele possuía 12 discípulos, realizou milagres e, depois de ser traído por Tifão, foi crucificado. Ressuscitou três dias depois 3 de enterrado.

Krishna

Este deus da Índia, também nasceu de uma virgem, Devaki, e uma estrela a leste comunicava sua chegada.  É um deus do panteão hindu, como uma encarnação de Vishnu, e forma suprema de Deus. Praticou milagres e, após sua morte, ressuscitou.

Dionísio

Este deus grego nasceu no dia 25 de dezembro e sua mãe era uma virgem. Foi autor de milagres, como transformar a água em vinho. Em sua história, também ressuscita após sua morte.

Mitra

Deus persa do Sol, Mitra nasceu de uma virgem no dia 25 de dezembro. Teve 12 discípulos e praticou milagres. De acordo com seu mito, ele ressuscitou três dias após sua morte.

Os relatos sobre a vida de Jesus são uma combinação de mitos judaicos com mitos de outros povos, especialmente dos povos do Oriente Médio, assim como de mitos gregos e romanos.

As diversas contradições dos evangelhos


Existem contradições berrantes nos evangelhos. Se a Bíblia fosse a palavra de deus, ela não conteria erros tão crassos, especialmente numa parte considerada pelos cristãos como o coração da revelação máxima de deus – a vida e obra de Jesus. Então, falemos sobre dois eventos fundamentais para a fé cristã: a ressurreição e ascensão.

A ressurreição e a ascensão de Jesus

Tomemos apenas o período da ressurreição até a ascensão por serem temas centrais e fundamentais para a fé cristã nos evangelhos, ainda que existam inúmeros outros casos de graves contradições nos mais diversos momentos da vida de Jesus.

    1. Quem encontrou o túmulo vazio?

a. De acordo com Mateus 28:1, somente "Maria Madalena e a outra Maria."

b. De acordo com Marcos 16:1, "Maria Madalena, e maria a mãe de Tiago, e Salomé.”

c. De acordo com Lucas 23:55, 24:1 e 24:10, "as mulheres que vieram com ele da Galileia.” Entre essas mulheres, encontravam-se “Maria Madalena e Joana e Maria a mãe de Tiago”. Lucas indica no verso 24:10 que havia pelo menos outras duas.

d. De acordo com João 20:1-4, Maria Madalena foi ao túmulo sozinha, viu a pedra removida, correu ao encontro de Pedro, e retornou ao túmulo com Pedro e outro discípulo.”

Quem foi que viu túmulo vazio, afinal?

    2. Quem eles encontraram no túmulo?

a. De acordo com Mateus 28:2-4, um anjo do Senhor com a aparência de um raio estava sentado sobre a pedra que tinha sido rolada para o lado. Também estavam presentes os guardas que Pilatos havia enviado para guardar a tumba. Eles teriam desmaiado. No caminho de volta da tumba, as mulheres encontraram Jesus, com diz Mateus 28:9.

b. De acordo com Marcos 16:5, um jovem enrolado num roupa comprida branca estava sentado dentro da tumba.

c. De acordo com Lucas 24:4, dois homens com vestes resplandecentes estavam presentes. Não fica claro se os homens estavam dentro ou fora da tumba.

d. De acordo com João 20:4-14, Maria e Pedro e outro discípulo inicialmente encontraram a tumba vazia. Então, Pedro e o outro discípulo saíram e Maria olhou dentro da tumba, encontrando dois anjos de branco. Depois de uma breve conversa com os anjos, Maria se vira e vê Jesus.

Tinha anjo ou não tinha anjo? Jesus estava presente ou ausente?

3. A quem as mulheres contaram sobre a tumba vazia?

 a. De acordo com Marcos 16:8, “elas não contaram nada a ninguém.”

b. De acordo com Mateus 28:8, elas “correram para contar os discípulos dele.”

c. De acordo com Lucas 24:9, “elas relataram essas coisas aos onze e a todos os demais.”

d. De acordo com João 20:18, Maria Madalena anuncia aos discípulos que tinham visto o Senhor.

Foram várias que viram e ficaram caladas? Foi apenas uma, mas contou aos discípulos? Ou foram várias, mas saíram contando aos demais?

4. A ascensão aconteceu em Betânia ou em Jerusalém?

a. De acordo com Lucas 24:51, a ascensão de Jesus aconteceu em Betânia, no mesmo dia de sua ressurreição.

b. De acordo com Atos 1:9-12, supostamente escrito pelo mesmo Lucas, a ascensão aconteceu no Monte das Oliveiras (em Jerusalém) quarenta dias depois da ressurreição.

Ele subiu aos céus no mesmo dia ou quarenta dias depois? Subiu de Betânia ou de Jerusalém, onde fica o Monte das Oliveiras?

Fenômenos naturais. Deus está dispensado.

Durante muito tempo, deuses pareciam necessários para se explicarem os fenômenos naturais. Havia deuses que controlavam o mar, os raios, as chuvas, as pestes, etc.

Rituais de apaziguamento da ira dos deuses eram comuns. O sangue ocupava um lugar especial nesses rituais. Era considerado mágico. Uma vez derramado o sangue de um animal ou ser humano, dependendo da cultura, a ira divina seria afastada e os castigos seriam suspensos. 

Os primeiros cristãos influenciados pela cultura judaica que atribuía ao sangue de animais sacrificados no templo de Jeová poderes especiais, atribuiriam mais tarde ao sangue de Jesus o maior dos poderes mágicos, poder que qualquer outro sangue jamais tivera: a redenção dos seres humanos e o estabelecimento de novos céus e nova terra, etc. sem a necessidade de nenhum outro sacrifício cruento.

Colocando essas superstições a respeito do sangue animal ou humano à parte, a ciência tornou-se capaz de responder aos vários por quês em relação às grandes catástrofes naturais, às doenças, e aos fenômenos mais corriqueiros da natureza.

Não há deus ou deusa por traz de nada disso. Nada disso é provocado pela ira e nem evitado pela compaixão divina. A ciência chegou a um tal nível de conhecimento que a ilustração proposta pelo Dr. Richard Carrier, PhD em história antiga e filosofia, cabe muito bem aqui:

Você tem dois cavalos na pista. Um ganha mil vezes. Ou outro perde uma após outra. Em qual dos dois cavalos, você aposta? Muito provavelmente no cavalo que já ganhou mil corridas. A ciência já ganhou tantas batalhas sobre a superstição que a coisa mais racional a fazer é deixar as superstições de lado e investir na pesquisa científica.

E parece que até mesmo os im-pastores fundamentalistas, especialmente os pentecostais, acreditam de fato na ciência por mais que o neguem. Afinal, quando ficam doentes, eles não esperam por um milagre, mas procuram os melhores tratamentos junto aos caríssimos médicos especialistas que só com muito dinheiro se pode pagar.

Vide o caso de Valdomiro Santiago que, aos 48 anos, foi operando no joelho pelos médicos. Como é que o dito apóstolo ora por gente com câncer e outros graves males, afirmando que essas pessoas estão curadas pela fé, mas procura um médico para fazer uma operação no joelho. Deus não foi capaz de consertar esse pequeno estrago?

Um Deus bom e todo-poderoso?

Como se pode pensar em um deus que fosse um agente moral todo-poderoso, todo-sapiente e presente em toda parte e conciliar isso com as desgraças que ocorrem no mundo?

Se ele é bom e pode tudo, sabe até o que pensamos, conhece o passado, o presente e o futuro, e com uma simples palavra pode construir ou destruir mundos inteiros, por que é que ele não destrói os micróbios nocivos à nossa saúde? Por que ele não impede a morte de milhões de pessoas por Dengue, Zika, Chikungunya, Febre Amarela, Malária e outras doenças como essas apenas impedindo que mosquitos se reproduzam? Basta uma pequena alteração no DNA desses insetos e eles desaparecerão em poucos dias do planeta inteiro.

Por que ele permite que acidentes ocorram o tempo todo? E estou falando de pequenos acidentes domésticos que matam criancinhas e idosos todos os dias.

Bem, se a casa do crente não é o melhor lugar para deus mostrar seu cuidado, sua atenção e sua proteção, pensemos na casa de deus, então.

Tetos de igrejas desabam

Em 1988, o templo da Igreja Universal do Reino de Deus em Osasco desabou e matou 23 pessoas durante um culto.

Em 18 de janeiro de 2009, foi a vez de um templo da igreja Renascer em Cristo, no bairro Vila Mariana, próximo ao Cambuci, na cidade de São Paulo. Sete pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

Em 2016, o teto de uma Assembleia de Deus caiu sobre o povo enquanto este cultuava a deus num domingo. A catástrofe foi em Diadema, SP, e deixou novamente sete pessoas feridas (soterradas) e uma mulher desaparecida.

Se deus não é capaz de proteger nem gente de joelhos orando, de mãos erguidas louvando seu nome ou ouvindo um sermão de supostos representantes seus, só podemos concluir que:

a.  Se ele quer proteger e não pode, ele não é todo-poderoso.

b. Se ele não quer proteger, mesmo podendo, então ele não é bom.

No fundo, não há deus algum protegendo e nem matando ninguém. São acontecimentos que têm explicações racionais e que podem se dar nos momentos mais inesperados pelo simples fato de que nenhum de nós pode se precaver de tudo o tempo todo.

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